Santo do dia › 08/08/2018

São Domingos

Estudo e pobreza são os dois pontos principais da Ordem dominicana, o programa de vida dos frades mendicantes que vestem o hábito de são Domingos, contemporâneo de outro grande santo fundador, Francisco de Assis. Ambos deixaram no mundo um sinal indelével, embora em breve período da existência terrena: Francisco morreu aos 44 anos de idade e Domingos aos 51. Domingos nasceu em Caleruega, na Castela Velha, em 1170, e morreu em Bolonha a 6 de agosto de 1221. Caráter metódico e firmíssimo, deu grande importância aos estudos, como premissa indispensável ao dever apologético dos frades pregadores.

De família nobre, “estatura média, corpo esguio, rosto belo e levemente corado, cabelos e barba levemente vermelhos, belos olhos luminosos” (assim uma freira dominicana nos apresenta o retrato do santo), acostumou-se, desde muito jovem, às duras penitências. A sua única riqueza eram os livros, que todavia não hesitou em vendê-los, num ano de carestia, para poder distribuir comida aos famintos. Como sacerdote e cônego de Osma distinguiu-se pela retidão, zelo, pontualidade nas funções e espírito de sacrifício. Sua vida, que corria pelo fio da regularidade, teve reviravolta decisiva quando o jovem cônego, atravessando os confins da Castela Velha, teve os primeiros contatos com os hereges. Albigenses, cátaros e patarinos, bastante numerosos no Languedoc, além de ressuscitarem uma confusa doutrina gnóstica e maniqueia, enganavam o povo e em particular as mulheres ostentando pureza e pobreza de vida.

Os missionários cistercienses, chegados ao Languedoc bem equipados, foram recebidos com desprezo: “Eis a cavalo, os ministros de um Deus que andava a pé”. Domingos teve então a ideia de fundar uma ordem de frades pobres e estudiosos para que pudessem pregar a doutrina cristã não somente com palavras, mas com o exemplo de sua vida, sem as suspeitas de interesses materiais. Domingos por primeiro deu o exemplo, caminhando a pés descalços, dormindo no chão, jejuando e vivendo de esmola. Não teve a intenção de formar uma elite de intelectuais, mas de arautos do Evangelho, e em suas peregrinações parava de bom grado também junto aos mais humildes carroceiros propondo-se falar de Deus a todos. Honório III aprovou a Ordem dos Pregadores, sob a Regra de santo Agostinho. Em 1234, 13 anos após a morte, foi proclamado santo.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.