Santo do dia › 23/10/2018

São João de Capistrano – presbítero

João de Capistrano tinha setenta anos, em 1456, quando se encontrava às portas de Belgrado, ameaçada pelo exército turco, a encorajar as tropas cristãs armado só de grande cruz de madeira e de robus-ta voz: “Seja avançando, seja retrocedendo, tanto atingindo como atingidos — gritava — invoquem o nome de Jesus. Só nele existe salvação”. Era o dia 21 de julho. Três meses depois, 23 de outubro, frei João de Capistrano morria em Ilok (Villaco, na Áustria).

Nascera em Capistrano, na província de Áquila, em 1386. Era belo rapaz, de cabelos loiros, “os quais — relembrava — pareciam fios de ouro, e eu os usava compridos, conforme a moda do meu país”. Pela sua origem e aspecto nórdico, apelidaram-no João alemão. Estudou direito civil e eclesiástico em Perúgia, laureando-se excelente jurista. Teve logo a nomeação de juiz e governador da cidade. Quando Perúgia foi ocupada pelos Malatesta, além do alto cargo, João perdeu também a liberdade.

Na prisão encontrou tempo para meditar sobre as vaidades das honras mundanas, e saindo do cárcere, já transformado interiormente, obteve a anulação do matrimônio e foi bater na porta do convento franciscano de Assis. Vestiu assim o hábito dos observantes, isto é, dos seguidores de são Francisco, que tinham acolhido a reforma propugnada por são Bernardino, de quem João Capistrano foi discípulo e amigo. Teve início então para o dinâmico frade aquela múltipla atividade apostólica que por quarenta anos o empenhou em vários lugares da Europa. Infatigável organizador de obras de caridade, mensageiro da paz, conselheiro, missionário entre os hussitas, na Baviera, na Turquia, na Saxônia, na Eslésia e na Polônia.

Os papas, que o tiveram como conselheiro, confiaram-lhe missões diplomáticas nos vários Estados italianos, de Milão à Sicília. O rei Fernando III o quis na Áustria, e sua Ordem o mandou como visitador à Terra Santa e aos Países Baixos. Organizador da Cruzada contra os turcos, esteve na Hungria e nos Balcãs. Com tenacidade e com o entusiasmo próprio da gente mediterrânea, levou a termo iniciativas que a outros pareceriam impossíveis. Mas as vitórias mais significativas foram conquistadas nas trincheiras da ortodoxia, na defesa da verdade contra a heresia, do genuíno espírito franciscano do compromisso dos renovadores, da paz civil e religiosa nos pontos quentes da Europa nos quais esteve presente com surpreendente celeridade, não obstante dispusesse só de um burro como meio de locomoção. Morreu a 23 de outubro de 1456 e foi canonizado em 1690.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.